Infográfico

COR Report
4ª edição · 2026

O estado atual das agências de marketing e publicidade

A AI deixou de ser o assunto. O assunto é a agência: como se organiza, como decide, como fatura e como prova valor para o cliente agora que a execução ficou barata.

18
países
C-level
perfil pesquisado
43,6%
CEO / dir. geral
58,2%
agências +40 pessoas
01

Os desafios de 2026

Rentabilidade primeiro. AI entrou no pódio.

Duas de cada três agências colocam a rentabilidade como desafio operacional número um. E este ano aparece um fator novo que muda a conversa: integrar AI nos processos.

Aumentar a rentabilidade

202665,1%
202527,2%

Integrar AI nos processos · novo no pódio

202647,3%
Melhorar o planejamento de recursos41,8%
Renegociar fees mais justos41,1%
Métricas em tempo real38,4%
Reduzir sobrecarga e rotatividade30,8%

Seleção múltipla: a soma passa de 100%.

A nova pressão operacional

Se você produz mais rápido com AI, o cliente assume que deveria pagar menos.

A equação histórica —mais horas, mais produção, mais receita— se rompe. Vender horas já não basta: é preciso provar impacto, critério e resultados.

Empresas demais falam de eficiência. Nós falamos de efetividade: como potencializar sua capacidade de gerar resultados.
David Sable · Vice Chairman, Stagwell · ex-Global CEO, VML
02

A AI chegou à operação

A AI já está aqui. A maturidade, ainda não.

Praticamente toda a indústria usa AI. Quase ninguém sabe dizer quanto isso vale para a sua agência. Essa distância é o achado central do relatório.

Adotar ≠ integrar

2,6%
integrada
com impacto medido
95,6%
usa AI
de alguma forma
← a lacuna do relatório →

Quase 60% dos líderes admitem que o uso se limita a iniciativas individuais ou aplicações pontuais. E só 10% têm governance madura de AI: alguém com responsabilidade clara sobre como se usa, o que se delega e como se mede.

79,8%

aponta a economia de tempo como o impacto mais visível da AI.

21,1%

associa isso a uma melhora direta na rentabilidade.

36%

admite que não mede esse impacto em lugar nenhum.

Olhando para frente

As grandes agências vão reduzir estrutura e headcount41,2%
Só sobrevivem as que se reinventarem30,7%
A AI vai pressionar os fees para baixo30,7%
A AI vai democratizar o mercado18,4%
A indústria vai encolher / demissões em massa7,9%

Ninguém vê colapso. Veem reorganização: estruturas menores disputando projetos que antes eram das grandes.

Achado

A AI precisa de uma estrutura sobre a qual acelerar.

Quando a operação já é caótica, mais velocidade não melhora o sistema: amplifica os mesmos problemas. Mais retrabalho, mais versões, mais pressão sobre os times.

Com processos claros, a AI acelera. Sem processos claros, amplifica.

48% reporta menos tempo por projeto36% não mede
03

Visibilidade e controle operacional

A margem já se perdeu quando a maioria descobre.

É a conversa que não avançou em relação ao ano anterior. Na verdade, retrocedeu.

Visibilidade de horas faturáveis · de qualquer forma

43%2025
41,5%2026

A indústria não avançou no indicador mais básico do seu negócio. Os 58,5% restantes navegam com informação parcial ou inexistente, e só 14,9% a têm em tempo real.

Controle de desvios entre o vendido e o executado

Sim, mas de forma manual36,2%
Só no fechamento do mês26,6%
Não25,5%
Sim, em tempo real11,7%

88,3% descobrem tarde. Nesse ponto já não sobra margem para renegociar escopo.

1 de cada 2 agências

49,4%

perde entre 15% e 40% do tempo em retrabalho. Outros 27% não conseguem medir.

Rentabilidade por cliente

21,8%

sabe em tempo real quanto cada cliente ou projeto deixa.

Confiança nos dados

60,3%

decide com confiança média, apoiado em dados históricos.

04

Fees, modelos e rentabilidade

As agências começaram a negociar com evidência real.

Se fosse para marcar um único movimento da indústria entre 2025 e 2026, é este. E não é tecnológico.

Base para renegociar fees · dados reais de custos e horas

24%2025
47,6%2026

Quase a metade chega à mesa com custos reais, tempos históricos, desvios medidos e margens concretas. Uma agência assim não chega pedindo um ajuste: chega justificando uma decisão de negócio.

Estimativas 53% → 17,9%Sem informação 23% → 5,9%“Não renegociamos” 25,6% → 9,5%

A tensão que segue aberta

8,3%

conseguiu usar a AI como argumento para defender ou subir fees. Em contrapartida, 13,1% já reporta pressão para baixo.

Por enquanto o valor econômico da AI aparece dentro da operação, não na negociação comercial: hoje dá mais ferramentas ao cliente para pressionar do que à agência para se defender.

Margem operacional média

10–30% (a faixa onde vive 62%)62%
Menos de 10% · zona de risco16,7%
Mais de 30% de forma consistente14,3%

O retainer segue como modelo dominante: 61% trabalha com fees mensais ou anuais.

05

Talento em transformação

O junior tradicional se automatiza. O senior se construía a partir dali.

O desafio que nenhuma ferramenta resolve: sustentar a formação do critério quando desaparece o degrau onde se aprendia.

Maior desafio de talento

Retener talento-chave46,5%
Falta de perfis de data / AI / estratégia45,1%
Sobrecarga de trabalho39,4%
Concorrência salarial com consultorias e big techs23,9%
Perda de know-how institucional19,7%

Medo de perder o que têm e de não conseguir o que precisam, quase empatados. Talento deixou de ser tema de RH: é estratégico.

Estrutura do time

23,2%

já reporta menos posições junior, substituídas por perfis híbridos. Outros 27,5% estão fazendo re-skilling dos times atuais.

Se você não está trazendo gente por baixo, como vai formá-la lá em cima? O mentoring nunca foi tão importante como agora.
David Sable

Como se sentem os líderes

80,6%

está do lado positivo: entusiasmado ou cautelosamente otimista. Só 8,3% preocupado.

06

Eventos e premiações

Efetividade acima de criatividade pura.

Os líderes escolhem os prêmios que servem para sentar com o cliente e defender o trabalho com números. O circuito deixou de ser exercício de ego: é posicionamento comercial.

Effies Awards65,2%
Cannes Lions54,5%
El Ojo de Iberoamérica36,4%
IAB Conecta21,2%
Clio Awards · SXSW15,2%
07

Conclusão

A indústria não está desaparecendo. Está se reorganizando.

A tecnologia já está aqui. O que falta construir é todo o resto, e são quatro movimentos concretos.

1

Organizar antes de acelerar

Ganhar eficiência sem visibilidade operacional não melhora a operação: amplifica a desordem.

2

Negociar com evidência

Chegar à conversa de fees com dados reais muda a dinâmica comercial de forma estrutural.

3

Repensar como se forma talento

Sem um modelo que substitua o que o junior construía, sobra execução sem critério. E o critério é o que o cliente não encontra em outro lugar.

4

Parar de vender horas

Cobrar por impacto. Os clientes não querem criatividade no abstrato: querem resultados de negócio.

Se eu tivesse AI no Renascimento, teria treinado com 200 anos de pintura. Mas teria obtido um Giovanni. Nunca o Da Vinci.
David Sable · Vice Chairman, Stagwell · ex-Global CEO, VML

A AI treina com o que já existe. Só a agência pode criar o que ainda não existe. Essa parte não se commoditiza.

COR Report

A infraestrutura para a próxima geração de agências impulsionadas por AI.

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Fonte: COR Report
4ª edição · 2026
Líderes de agências em 18 países